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O que comemos influência o meio ambiente?

O que comemos influência o meio ambiente?

18 Dezembro, 2019

Quando o blog estreou fiz um post sobre como o que comemos influência diretamente a nossa vida, o nosso corpo. Decidi que estava na altura de falarmos sobre o outro lado, sobre como o que comemos influência o ambiente em que vivemos. Sinto que é muito importante falarmos sobre isto, sinto que as pessoas estão mal informadas com o que está no prato delas.

Já se perguntaram, “de onde vem a minha comida?”. Vivemos numa sociedade exigente, cheia de preconceitos e repleta de vontades que tem de ser satisfeitas na hora. O consumidor é demasiado perfeccionista com o que come, pois se uma maçã tiver uma mancha ela já não vai ser vendida. Talvez devêssemos usar toda esta exigência para sermos exigentes com a origem do que consumimos e como consumimos.

Caso nunca tenham pensado nisto somos nós consumidores que ‘gerimos’ o mercado. Somos nós que geramos tendências, e somos nós que temos o nosso poder de compra. Está nas nossas mãos. A compra de uma simples maçã pode sim influenciar o nosso meio ambiente, dependendo de onde ela veio, como chegou até nós e se a consumimos na sua totalidade ou não. Mas, qual será a indústria que mais prejudica o nosso meio ambiente?

Acho que já todos temos conhecimento de como a indústria da alimentação tem um impacto direto no nosso meio ambiente, contudo é a indústria da pecuária que mais se destaca pela negativa.

Depois de pesquisar bastante sobre o assunto, houve um estudo que me chamou a atenção. O estudo avalia como iremos alimentar 10 mil milhões de habitantes, numa sociedade crescente até 2050.

Foram avaliados diversos fatores secundários dentro da produção de alimentos. Gases efeito de estufa, uso de água e plantações, fertilizantes e o impacto na biodiversidade caso fosse uma região convertida em terreno agrícola.

Os estudos indicam que os gases poderiam ser reduzidos e que uma quantidade da terra poderia ser utilizada para alimentar a crescente população mundial. A produção de carne consome muitos recursos para gerar apenas um, já se perguntaram se esta é então a melhor opção?

Para termos uma ideia, para produzir 1kg de carne de vaca, gastam-se aproximadamente 15,415 litros de água, produz sensivelmente a mesma quantidade de CO2 do que uma viagem de carro de 100km. Isto é só para 1kg de carne, ou seja, podem fazer as contas para uma vaca inteira, que pesa mais ou menos entre 600 a 900kg.

A agropecuária é responsável pela emissão de 40% do metano libertado na atmosfera, por 50% dos gases efeitos de estufa e o uso de terra para a sua produção deveria ser reduzido em 75%, o que equivale a área dos estados unidos, china, união europeia e austrália toda junta.

Segundo as conclusões do relatório, o consumo de carne e açúcar em todo o mundo deveria cair em 50%. Nos estados unidos por exemplo, esse consumo deveria diminuir e ser substituído por legumes e fruta. Enquanto em países que já lidam com uma nutrição deficiente poderiam incluir carne na sua dieta em cerca de 3%.

O estudo apresenta algumas medidas no que toca em alterar o tipo de prática agrícolas, o que faria com que os preços no mercado se alterassem e consequentemente criasse um incentivo nos consumidores a mudarem os seus hábitos alimentares.

Acredito que não seja viável para toda a população ser vegan ou vegetariano, contudo, numa sociedade moderna como a nossa, cabe ao consumidor fazer escolhas mais éticas e sustentáveis, pensar que o que compramos teve um percurso antes de chegar até nós e não é simplesmente um produto que apareceu na prateleira.

Temos um longo caminho, mas acredito que existam pessoas que irão sim mudar os seus hábitos de consumo, pois a chave é reduzir ao máximo.

‘A influência do que comemos na nossa vida’

'A influência do que comemos na nossa vida'

6 Julho, 2020

Quando comecei a minha mudança de estilo de vida não o fiz sem primeiro pesquisar sobre o assunto. Sempre me achei uma ambientalista, e nessas pesquisas encontrei um artigo que dizia que a agropecuária era das maiores causas do aquecimento global. Sinceramente fiquei muito pouco convencida nesse momento ‘como assim? Nunca vi isto nas notícias’. Como boa desconfiada que sou, mergulhei numa pesquisa intensa sobre esta nova informação. Depois de ler imenso sobre como a agropecuária era prejudicial para o planeta e muitos documentários depois, fiquei decidida a mudar de estilo de vida naquele dia! E foi o que fiz, a partir desse dia deixei de comer carne, e aos poucos deixei o peixe e mais tarde larguei todos os produtos de origem animal. Aconteceu tudo de uma forma muito natural e deixei de sentir vontade de comer o que considerava ‘normal’. Ganhei mais energia, vontade de viver e tinha ainda mais vontade de criar receitas (para quem já me segue a algum tempo sabe que quando criei o visions ainda comia carne e produtos de origem animal). Comecei uma nova vida e tinha muito mais confiança! E depois passado um ano, algo incrível aconteceu…mas antes de vos contar o que aconteceu, tenho de vos contar a minha história.

Tudo começou quando tinha apenas 6 anos, aleijei-me na mão direita numa aula de ginástica. Fui ao médico que receitou um anti-flamatório gelo e repouso. Porém fui piorando, tanto que perdi totalmente a mobilidade num dos dedos da mão direita. Os meus pais levaram-me a vários médicos, mas as respostas eram sempre as mesmas e eu, sempre a piorar. Sem respostas e cada vez mais doente, acabamos por ir para um hospital privado depois de cirurgias falhadas e de mau atendimento. Foi num hospital privado que recuperei a esperança de uma possível cura, mas rapidamente a perdi. Tudo isto se passou entre os meus 6 e 17 anos, os hospitais eram quase a minha segunda casa. Sete cirurgias, três temores, uma quantidade absurda de medicamentos, fisioterapias sem fim e um dedo amputado. Acontece que fiquei fragilizada com tudo isto, especialmente no que toca a dores crónicas. Para quem não tem muito conhecimento sobre isto, as dores crónicas fazem parte, quando amputamos um membro do nosso corpo, e especialmente se já tivermos passado por diversas cirurgias sofremos de dores crónicas. E é aqui que começa o pior da história, pois as dores crónicas não têm cura, a minha doença não tem cura, e pensei que seria dependente de compridos extremamente pesados para sempre.

E foi assim, durante 6 anos da minha vida recorria a comprimidos, para me ajudar com as dores crónicas e com excesso de esforço que muitas vezes fazia. Contudo tudo mudou, foi passado um ano de veganismo que percebi que as minhas dores tinham diminuído, que os temores não voltaram e que me sentia realmente melhor. Deixei de tomar os comprimidos, tudo por ter mudado a minha alimentação. Sinceramente fiquei revoltada com a situação, não conseguia perceber porque é que nenhum médico me tinha sugerido mudar a minha alimentação. Li alguns estudos sobre o assunto, mas ainda nada que existe é muito concreto, isto é apenas a minha história, o meu testemunho. Mas de uma coisa tenho a certeza, o que comemos influência a nossa saúde, o nosso ambiente e por consequência a nossa vida.

Não sou médica, não tenho nenhum conhecimento sobre esta área, apenas queria partilhar um pouco mais convosco, um pouco da minha jornada e como realmente o veganismo me ajudou no meu dia a dia. Isto não quer dizer que resulte para vocês, mas espero que pelo menos vos ajude a refletir, a pensar no que põe no vosso corpo e como tudo o que consumimos nos afeta de alguma forma. Achei que transmitir esta informação pode ajudar outras pessoas, pessoas que tenham dores crónicas, traumas cirúrgicos ou outro tipo de problema de saúde. Espero que a partilha da minha história vos inspire a mudar, ou pelo menos a tentar <3

Até ao próximo post,

Ana